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Reforço com vacina da Pfizer tem eficácia de 95,6% contra a Covid-19
Luiz Pessoa/SEI

Reforço com vacina da Pfizer tem eficácia de 95,6% contra a Covid-19

A dose de reforço da vacina contra Covid-19 desenvolvida pela Pfizer  em parceira com a BioNTech restaurou a proteção aos altos níveis alcançados após a segunda dose, mostrando uma eficácia de 95,6% em comparação com aqueles que não receberam a dose extra. A alta proteção permaneceu até mesmo contra a variante Delta, segundo informações divulgadas pelas empresas nesta quinta feira.

“Os primeiros resultados de qualquer ensaio randomizado e controlado de reforço da vacina contra Covid-19 demonstram uma eficácia relativa da vacina de 95,6% contra a doença durante um período em que Delta foi a cepa prevalente”, disseram as empresas, em comunicado.

Os dados são resultado de um estudo clínico fase 3 feito com mais de 10 mil participantes com 16 anos ou mais para avaliar a eficácia e segurança da aplicação do reforço em pessoas que completaram o esquema inicial de imunização com duas doses. Os voluntários foram divididos em dois grupos: placebo ou reforço com uma dose extra igual às anteriores. O tempo médio entre a segunda dose e a aplicação do reforço ou placebo foi de aproximadamente 11 meses.

Para avaliar a eficácia, os pesquisadores analisaram a ocorrência de sintomas da Covid-19 pelo menos sete dias após o reforço ou placebo, com um acompanhamento médio de 2,5 meses. Durante esse período foram registrados cinco casos da doença no grupo com reforço e 109 casos no grupo sem reforço. O que equivale à eficácia relativa de 95,6%.

A idade média dos participantes foi de 53 anos, com 55,5% dos participantes entre 16 e 55 anos e 23,3% dos participantes com 65 anos ou mais. “As análises de múltiplos subgrupos mostraram que a eficácia era consistente independentemente da idade, sexo, raça, etnia ou condições comórbidas”, escreveu a empresa, em comunicado. A estratégia também se mostrou segura. Não houve casos relatados de doença grave, com “perfil de eventos adversos […] consistente com outros dados de segurança clínica para a vacina”.

O ensaio ainda não foi revisado por pares, mas a Pfizer e a BioNTech planejam enviar resultados detalhados do estudo para publicação em uma revista científica. As empresas também planejam compartilhar esses dados com agências regulatórias em todo o mundo o mais rápido possível.

O reforço com o imunizante da Pfizer já está sendo aplicado em diversos países, incluindo Brasil, Israel, Estados Unidos e União Europeia. Os grupos que podem receber a dose extra variam de acordo com a estratégia de vacinação de cada país. No Brasil, atualmente o reforço é aplicado apenas em idosos e profissionais de saúde que foram vacinados há pelo menos seis meses e pessoas com imunossupressão que completaram o esquema de imunização há no mínimo 28 dias.

Eficácia reduzida

Um estudo publicado no início do mês na revista The Lancet mostrou que a vacina da Pfizer/BioNTech em esquema de duas doses é eficaz na prevenção da hospitalização por todas as variantes do novo coronavírus por ao menos seis meses.

No entanto, a pesquisa, conduzida pela Pfizer e pela organização americana Kaiser Permanente, descobriu que a eficácia contra os riscos de infecção diminui ao longo do tempo, de 88%, no mês seguinte à segunda dose, para 44%, após seis meses. A redução foi constatada contra todas as variantes, e não apenas contra a Delta.

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Os pesquisadores analisaram dados médicos de 3,4 milhões de pessoas no sul do estado da Califórnia entre 4 de dezembro e 8 de agosto. Apesar da queda para risco de contaminação, o estudo reforçou que, mesmo após esse período, a eficácia contra os riscos de hospitalizações por Covid-19 permanece alta, em 90%.

Proteção em adolescentes

Um outro estudo conduzido em Israel trouxe mais boas notícias sobre a vacina da Pfizer/BioNTech. Publicada nesta quinta-feira na revista New England Journal of Medicine, a pesquisa constatou que o imunizante é 93% eficaz contra infecções sintomáticas de Covid-19 em adolescentes entre 12 e 18 anos, mesmo com a variante Delta.

As descobertas são mais evidências para assegurar a eficácia e a segurança da vacina entre os jovens, enquanto a FDA considera autorizar o uso da vacina em crianças de apenas cinco anos nos Estados Unidos.

O estudo estimou uma eficácia total de 90% contra a infecção e 93% contra a infecção sintomática entre 7 e 21 dias após a aplicação da segunda dose em adolescentes. Pesquisadores da Organização de Manutenção de Saúde Israel’s Clalit e da Universidade de Harvard revisaram os dados de 94.354 vacinados dessa faixa etária e os compararam com o mesmo número de adolescentes que não foram imunizados.

A análise foi realizada entre junho e setembro de 2021, quando a variante Delta já era a prevalente em Israel. Em um comunicado na quarta-feira, a Israel’s Clalit afirmou que o estudo foi uma das maiores avaliações revisadas por pares conduzidas entre a faixa etária da eficácia da vacina contra a variante Delta.

No início dessa semana, uma análise divulgada pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) mostrou que a vacina da Pfizer/BioNTech foi 93% eficaz na prevenção de hospitalizações entre aqueles com idade entre 12 e 18 anos.

O imunizante é autorizado para crianças a partir dos 12 anos no país, assim como no Brasil, e as empresas estão em busca da aprovação pela FDA para estender seu uso em crianças a partir dos cinco anos nos EUA. Espera-se que um painel de consultores da FDA avalie os dados sobre essa faixa etária ainda no final deste mês.

Fonte: IG SAÚDE

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